Last Chapter: Tão Sortudo, Tão Forte, Tão Orgulhoso

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Last Chapter: Tão Sortudo, Tão Forte, Tão Orgulhoso

Post by Albert (Albe) Tannhauser on Wed May 10, 2017 9:09 pm

Eu sou Albert Tannhauser e de alguma forma eu me tornei o vencedor da Guerra do Santo Graal em Camlann River na Inglaterra. Agora eu retorno para a Alemanha para prestar contas aos Tannhauser com a esperança de me reencontrar com Cattleya.

Eu não saberia como descrever com precisão a família Tannhauser. Nunca realmente fiz parte dela, apenas carrego seu sobrenome por ter sido adotado por Cattleya, uma dissidente da família, mas vou lhes contar o que sei.

Os Tannhauser são uma família grande de fazendeiros do norte da Alemanha, mas são muito humildes se comparado as famílias que comandam Camlann River,  porem sua tradição perdura a cerca de 300 anos e tal tradição não tinha nenhuma relação com mágica até as últimas décadas. Agora essa família busca visibilidade na sociedade dos magos ambicionando um lugar em suas associações. Há poucos magos nessa família, quase todos sem nenhuma habilidade acima da mediocridade, mas ainda assim sua linhagem conseguiu gerar magos promissores com Cattleya e seu filho...

Eu não me questiono sobre isso e nem me importo em saber, mas guardo comigo a desconfianças de que Cattleya não tem laços sanguíneos com os Tannhauser apesar das evidências confirmarem que ela é filha do patriarca da família, ou pelo menos apenas da matriarca.




Eu estou no interior do casarão da família, na sala e em pé observando a grande propriedade atrás da porta de vidro que dava acesso a varanda. Na mesma sala estavam dois homens, um elegante negro de cabelos grisalhos e outro branco de cabelos negros que eu diria ser uns 10 anos mais jovem e vestindo-se mais casual usando uma jaqueta de couro marrom. Os dois são sérios e intimidadores o que me faz não querer interagir com eles. Não sei quem são, mas não é a primeira vez que vejo o homem negro, foi ele quem me escoltou até o avião para Camlann River e que me instruiu a fazer os passos que me levaram ao meu primeiro encontro com Ryou, então suponho que ele seja o braço direito da matriarca.

- Então você voltou, Albert. – Dizia a familiar voz feminina. - Espero não ter chegado muito tarde, eu queria ser a primeira a lhe parabenizar.




Me virei para vislumbrar a belíssima mulher descendo as escadas com seus pés descalços vestida naquele vestido preto que expunha ousadamente grande parcela de sua linda pele. Essa mulher é ninguém menos que a matriarca da família Tannhauser.

- Marie... Obrigado. – Tento não olhar para o decote dela... é muito embaraçoso, não só porque essa mulher é de certa forma a minha avó, mas também pela sua estranha hospitalidade comigo.

Entenda... Quando a vi pela primeira vez ela não estava sorrindo para mim como está agora. Não que ela fosse flagrantemente desagradável comigo, mas ela me desprezava sem dúvida e isso era motivo bom bastante para eu evita-la ao máximo, mas por ela ser tão linda e jovial para uma avó eu não resisti em usar a minha otimização mental para fazer uma breve analise sobre ela.

E o que pude desvendar sobre ela? Bom...

Primeiramente seu nome, Marie, pronuncia-se “Marrí”, o que entrega a sua origem francesa. Há um detalhe interessante sobre sua aparência: considerando que seu filho mais velho tem cerca de 45 anos e acreditando que ela não o teve antes de firmar seu matrimónio com o já falecido patriarca da família - sendo que na Alemanha é possível se casar aos 16 anos – então atualmente Marie não poderia ter menos do que 60 anos de idade. Ela é bela demais para uma idosa e ainda teve outros filhos ao longo de sua vida, dos quais sou bastante cético em crer que todos eles foram gerados com o mesmo velho senhor com quem se casou.

Depois que este faleceu, quebrando a tradição, foi ela quem assumiu a frente da família no lugar do filho mais velho. Não sei se os familiares aceitaram isso bem, mas foi com a liderança de Marie que os Tannhauser começaram a prosperar mais como fazendeiros e a atuarem em outras aeras de negócios (legais e ilegais). Logo os Tannhauser deixavam de ser apenas uma família para se tornarem um clã ao se unirem com as famílias Lohnhoff e Rosenstock. Não sei dizer se isso foi antes ou depois dessa união, mas as três famílias construíram o seu círculo interno de magos, estudando e ensinando taumaturgia a seus parentes mais promissores.

E o porquê disso ser importante pra eles? ... Eu não sei. Eu me importo muito com Cattleya, mas admito que sou muito pouco curioso sobre sua família, talvez porque eu não cresci em uma e por isso o assunto não me é tocante. Mas já compreendi o porquê que Cattleya e eu somos tão desprezados por eles, afinal cada família está construindo suas próprias tradições taumatúrgicas e isso exige secretismo, por tanto foi uma grande ofensa para eles que Cattleya tenha me ensinado tudo o que aprendeu com eles e o fato de eu carregar o sobrenome dela não serviu para amenizar essa perturbação tanto quanto ela esperava.

- Está confortável? – Ela me questionava ao se sentar no sofá cruzando as suas pernas a mostra. – Você passou por muita coisa, então, por favor, relaxe agora.

- Estou bem, de verdade, não precisa se preocupar comigo. – Não, eu não estou me sentindo bem. Meus instintos me mandam sair agora mesmo. Aqueles dois homens... Eles provavelmente estão nesse momento julgando o que deveriam fazer comigo. Tenho certeza que a opção preferencial deles é me matar, e eu seria uma vítima muito conveniente. A única pessoa que sentiria minha falta é Cattleya.

- Está com medo, não está? Hu hu... você é bem disciplinado, mesmo pra mim é difícil saber o que se passa em sua mente. Hmm... considerando o seu passado, fico muito orgulhosa de ver que obra minha filha produziu tendo você como matéria-prima. Bonito, inteligente, corajoso...

- Hm.. – Não parece, mas ela está fazendo pouco de mim enquanto me provoca com a indecente exposição de seu corpo naquele vestido. Estou tentando reprimir qualquer pensamento inapropriado que posso ter tendo a impressão de que ela será capaz de ler isso através da minha testa. – E-eu apenas...

- Você ganhou o Santo Graal. Hu hu... – Dizia como se houvesse algo engraçado nisso. Talvez tenha mesmo, mas eu não entendi que graça seria. – Eu sabia que você não era algo a ser jogado fora, mas isso realmente não estava nas minhas expectativas.

Naquele momento o homem branco tira a sua pistola do coldre oculto em sua jaqueta. Ele o fazia como um gesto trivial, sem nenhuma hostilidade e por isso me surpreendi com o que veio a seguir.

“BANG!”

Ele atirou mim?! ... Primeiramente eu pensei que o tiro passou por mim sem me atingir, mas então sentir o calor do sangue escorrendo de meu peito. Eu não sinto dor alguma ainda, mas estou em choque e por isso minhas pernas amolecem e eu caio de joelhos sobre o tapete.

- Há há! Vê? Era assim que você teria terminado desde o início, mas eu não queria sujar o tapete.

- Ah...haf haf... – Apesar do choque e de estar difícil respirar eu pude agora notar que o tapete não era o mesmo que eu vi nas vezes em que estive aqui antes. Ela pretende me matar e enrolar meu corpo nessa imitação?

- Admito você ter me deixado realmente muito admirada pelo que você fez por ela e por meu querido neto... Me diga: Foi por pura sorte ou foi por puro amor que você conseguiu chegar até o fim como vencedor?

Agora eu odeio o sorriso dela. Eu queria tanto revidar, mas meus membros não me movem. Estou sem forças. Parece que toda energia que me resta foi direcionada para meu braço esquerdo num esforço para cobrir com a mão a ferida aberta e parar o sangramento, mas tudo indicava que seria em vão. O homem ainda tinha a arma em mão e embora ele não a estivesse apontando-a para mim ele parecia ansioso para descarrega-la em meu corpo.

Afinal, qual é o problema desse homem? Não o conheço, mas ele realmente quer me matar. É algo pessoal.

- Este é Jorg Lohnhoff, ele estava noivo de minha filha a muitos anos antes de você conhece-la... – Ah, então agora que perdi o autocontrole ela consegue me ler como um livro aberto – Ele ainda não se sente traído, então acho que isso lhe esclarece bem, não é?

- Quando vai para de brincar com ele, senhora Marie? Eu estou com pressa. – Ele se aproximava agora encostando o cano da arma em minha testa... Talvez eu possa reagi, mas isso só iria adiar o inevitável por mais alguns segundos. Ainda assim eu não quero desistir...

- Se está com pressa então já pode se retirar agora mesmo, Jorg. – Ela disse enquanto que o homem negro o puxava pela gola de sua jaqueta afastando-o de mim.

- O-o que?!

- A senhora Tannhauser concordou que você podia atirar nele a qualquer momento quando começássemos a reunião, – A voz do homem negro é seca e intimidadora. - ... mas não lhe deu permissão para mata-lo.

- .. Gr.. Tsch. – Em ódio contido o homem ainda cuspiu em mim. Não sei se me acertou ou onde acertou, mas não senti nada cair em meu rosto. Ele se deu por satisfeito o suficiente para ser capaz de se retirar em evidente protesto ao bater a porta na saída.

Ele se foi, mas ainda estou a mercê desses dois.

- Não tenha medo, querido Albert. Eu não vou matar você. Não sou a bruxa cruel que você pensa que sou. – Ela diz isso, mas está claramente se divertindo com a minha agonia. –  Seria muito conveniente se você tivesse morrido na guerra, mas agora que você voltou vivo, depois de tudo pelo que passou, estou com muita dó de você. E de verdade, estou gostando da ideia de tê-lo como meu neto, eu ainda teria orgulho de você apesar da relação impertinente que você tem com sua “mãe”.

Ela faz isso soar tão desprezivelmente imoral... Verdade que Cattleya me adotou como filho, foi a única forma dela me levar de Camlann River, mas nunca de fato levamos nossa relação nesse sentido, nunca a chamei de mãe, mesmo assim foi o argumento usado para que os Tannhauser me tolerassem como um membro de sua família afim de representa-los na Guerra do Santo Graal.

- Uhg... – Era inútil tentar dizer qualquer palavra. A bala atingiu meu pulmão, já era muito difícil respirar. Tenho certeza que ela apreciaria muito me ouvir pedindo clemencia, e de fato ou me humilharia se isso realmente servisse de algo, mas em minha condição só me resta me reservar ao silêncio. Também não estava disposto a ouvir mais nada... Sinto enjoo... Eu estou... perdendo a consciênc...
 

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Re: Last Chapter: Tão Sortudo, Tão Forte, Tão Orgulhoso

Post by Albert (Albe) Tannhauser on Wed May 10, 2017 9:18 pm

Eu desperto em um lugar diferente. Não abri os olhos ainda, mas a atmosfera não é a mesma e por isso sei que não estou mais naquela sala confinada do casarão.

Abro os olhos contrariando o meu desejo de voltar ao sono profundo e me vejo deitado em uma cama de casal ao lado de uma janela aberta com vistas para a bela montanha de mata verde no horizonte banhado no Sol de verão, era como se fosse um quadro de arte, mas a mim não interessa admirá-la, então passeio meu olhar para o quarto e então vejo da bela mulher sentada na beirada do outro lado da cama.




- Albe, você dormiu demais. – Ela sorria, estava feliz e orgulhosa e esse sorriso me fez ficar sério e desviar o olhar. Me fez sentir-me um bobo, pois era assim que ela me olhava quando eu era mais jovem e conseguia impressioná-la de alguma forma.

“Droga... Você é mais velha que eu, mas ainda assim eu já sou um homem adulto mais do que o suficiente para cuidar de você e te proteger, então pare de me olhar dessa forma. Isso destrói a minha dignidade” - Ainda assim não contive o tolo sorriso quando senti a mão dela pousar em meus cabelos.

- Eu... eu estou de volta...  Cattleya.

*Sobe os crédito*





~ THE END. ~

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