Last Chapter - Victorique Kisaragi

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Last Chapter - Victorique Kisaragi

Post by Ryou Hayashi on Tue Mar 28, 2017 12:54 am

O Sorriso Dela





Horas haviam se passado desde que sua amada saiu da segurança. O loiro olhou preocupado para o relógio, sem nenhum sinal, andava de um lado para o outro. Victorique se recusava a falar mais sobre o que acontecia, ou melhor, sequer falou com ele. Quando pediu para conversar com a mesma, a mulher simplesmente saiu falando que algo tinha acontecido e precisava resolver.
Não conseguia criar coragem para ligar para ela. Melhor, tinha receio do que ela poderia pensar se visse suas ligações perdidas. Estaria em perigo? Com problemas? Não. Alexsander percebeu, naquele momento, que precisava buscar as respostas com suas próprias mãos.


E, com isso, ele saiu da segurança.


-x-


Quando saiu do refúgio do cemitério, o que viu primeiro foi um mausoléu arrombado. Estranhou a princípio, pensou em passar reto, todavia, sua curiosidade foi maior. Ao se aproximar, viu um homem, ruivo, todo machucado, mas seu sangue já estava seco e parecia estar em um sono profundo. Entrou no local sagrado e arrombado, caminhando para se ajoelhar na frente do estranho, que acordou de sobressalto. Alex, por impulso, levantou as mãos.
- Se acalme! Calma. Calma.
O estranho pareceu respirar fundo, seus olhos eram verdes, e estava claramente assustado. Com um sorriso gentil, o homem procurou ajudar o outro.
- Está tudo bem..?
-... Sim.
O estranho respondeu um tanto relutante, desviando o olhar e se levantou, limpando-se da poeira.
- Por que veio aqui?
Alex se levantou também, e, quando o outro fez menção a sair, recuou para fora, dando espaço para que o ruivo pudesse se retirar.
-... É melhor não saber. É perigoso. - O estranho soltou um suspiro resignado. - Vá para casa. Desculpe se esse lugar era da sua família, eu apenas precisava descansar… Eu vou embora.
Sem perceber, uma ira momentânea se construiu dentro do loiro, que veio por instinto segurar o pulso do outro quando estava prestes a sair. O estranho olhou, abismado e com os olhos arregalados, a boca levemente entreaberta.
-... Não. - A voz normalmente gentil do Alexsander Crowley estava tomada por uma determinação rara. - Por favor, eu preciso de ajuda também. Entendo que está com problemas, e, eu não sei direito o que aconteceu com você, mas… Me ajude que eu te ajudo.
Com uma olhada rápida para a mão que o segurava, foi o suficiente para fazer Crowley entender a mensagem, liberando o outro do seu agarro. O ruivo levou a mão para perto do rosto, observando o pulso conforme abria e fechava os dedos. Demorou alguns segundos, esses que pareceram muito mais demorados devido ao som dos batimentos cardíacos assomados ao silêncio fúnebre do cemitério. Com um suspiro resignado, o estranho estendeu a mesma mão para Alex.
- Tudo bem. Me chamo Ty… Tyger.
O sorriso se abriu nos lábios do rapaz, que veio a agarrar a mão oferecida com ambas as suas, balançando-a firmemente e com entusiasmo.
- Alexsander Crowley!


-x-


Algumas ligações, pagamentos, e terminando de tanto dar cuidados necessários para os ferimentos do Tyger, e logo Alex tinha um guia para onde deveria ir.
Sim, definitivamente não foi fácil descobrir o que precisou. Teve de usar de métodos… Que certamente Victorique o censuraria por invadir sua privacidade quando pagou um hacker para invadir o celular da mesma. Com uma busca de cruzamentos de mensagens e informações, foi capaz de descobrir algumas coisas sobre os… Contatos recentes da sua amada.
Tyger lhe deu os contatos, nomes, e inclusive locais...
E, todos eles, lhe apontaram para um local: a boate.
Aparentemente Kisaragi queria falar com Derog, pelo menos foi isso que as mensagens indicaram. Fazendo uma associação, foi capaz de chegar a conclusão que provavelmente ela iria acabar sendo mandada para a boate, afinal de contas, era a lógica básica que se chegaria levando em conta o anúncio do mesmo no jornal. E, como não queria fazer com que sua amada percebesse sua desconfiança… Foi o que levou seus pés a caminharem agora por aquele assoalho queimado da antes renomada Boate Butterfly.
Alex olhou desconfiado aos seus arredores, com as mãos nos bolsos, se apressou ali dentro, buscando investigar debaixo das mesas por qualquer pista que pudesse ter. Certamente nunca imaginou que iria vir a colocar os pés dentro de um lugar daqueles, muito menos um que já havia sido destruído daquela forma. Felizmente a polícia já não estava mais de vigia, então entrar ali era fácil.
Enquanto se abaixava para tentar virar uma mesa, o toque frio em sua nuca lhe fez estremecer, acompanhado em seguida do som de metal quando o tambor da arma foi virado para preparar o tiro.
- Ora ora… - A voz que veio de trás de si era masculina, todavia parecia abafada por algo. - Vejo que ainda temos problemas com ratos.
O loiro ficou em silêncio, literalmente congelou diante daquela pressão fria na sua nuca.
- Como sou um homem piedoso, vou te dar uma chance de explicar o que está fazendo aqui…
-... Eu… Quero saber sobre o que aconteceu aqui na boate.
- Por que?
O medo que sentia não era pela sua vida, e sim pela segurança da sua amada. O que raios teria naquela boate de fato? Um frio abraçava sua barriga, a apertava e não a queria libertar. Todavia, a segurança da sua amada poderia estar tão em risco estando em busca de informações sobre aquele lugar… Em um rápido raciocínio, Alex chegou a conclusão que talvez fosse melhor se associar aqueles que provavelmente eram o motivo da busca do Derog… Mas, certamente, se falasse que era pelo verdadeiro dono…
-... Pela minha amada…
-... Sua amada? - O estranho riu, riu tão alto que até mesmo a arma chegou a tremer de leve. - Por acaso ela foi uma das vadias que foi queimada viva neste lugar?
-... Não.
- Oh? É mesmo? - Houve um riso baixo, parecia estar até mesmo entretido. - Explique-se. Quero que cuspa tudo para fora, se não o que vai ir para fora vai ser sua goela na parede.


Não houve escolha.
Queria realmente acreditar que não teve escolha.


-x-


Alex acabou contando tudo para o estranho. Na realidade, depois que contou que sua amada era Victorique Kisaragi, o cano logo aliviou da sua nuca e foi capaz de se virar, dando de cara com um estranho mascarado, e que veio até a abraçá-lo de lado e guiá-lo para o porão da boate.
Ele lhe contou tudo.
Sobre a Guerra, sobre os mestres, sobre até mesmo o que aconteceu naquele lugar.
O frio novamente agarrou o estômago do homem, que, na sala secreta do porão, se ajoelhou, implorou…
Para que salva-se sua amada.
Para que a tirasse daquela guerra que atentava pela sua vida.
Entendia que ela desejava algo enormemente, todavia, a única coisa que ele desejava era Victorique ao seu lado.
Mas, como ele poderia saber quais eram as intenções daquele homem?
Como poderia Alexsander saber que seu pedido resultaria…


-x-


O estranho lhe mostrou uma saída pela sala secreta que dava para a rua principal. Ali, lhe esperava um carro. Parecia que aquela noite nunca acabava, ou talvez o sol já tivesse pousado no horizonte quando Alex foi para o lado de fora de volta. O mascarado parecia contente, e isso era notável pelo seu tom de voz.
- Trato é trato, meu bom colega. - Disse ele, dando um tapa leve nas costas do outro. - Victorique está lá dentro… Esse carro é para vocês, podem ir para outra cidade e ir embora em um avião. Ou fazer o que quiser. Realmente não me importa.
O outro deu uma risada alta, tão alta que ecoou. Alex estremeceu diante daquilo, recuando meio passo e deu um sorriso torto, passando a mão na nuca.
- Obrigado…
- Oh, não… Eu que agradeço… Alexsander… Eu certamente irei me lembrar de você.
Com uma risada baixa, o mascarado entrou pela mesma saída que usou. O loiro agora, sozinho, um tanto temeroso por encarar a fera que o aguardava, caminhou em direção ao carro, abrindo a porta do motorista e entrou silenciosamente. Já viu, logo quando entrava, a figura da sua amada Victorique, adormecida como um anjo. Sorriu instantaneamente, fechando a porta atrás de si e guiou a mão para o rosto da mesma, tocando sua bochecha, se inclinou na direção dela, deixando os lábios próximos do seu ouvido.
- Vic… Acorde…
Os olhos rubros se abriram, brilhando na escuridão, e era notável o alívio desses quando viram a figura ao seu lado. Estendeu seus braços em direção do homem, o abraçando fortemente conforme pareceu até soluçar, escondendo o rosto em seu ombro. Alex sorriu, passando a mão em seus cabelos negros com terno carinho.
- Alex..! Que bom que está a salvo!
-... Que? - Alexsander recuou o corpo para poder olhar sua querida nos olhos, acariciando o rosto de volta enquanto sorria um tanto atordoado. - Do que está falando?
- Aquele homem! Ele… Ele tinha te sequestrado! Ameaçou Gerárd…
O sorriso nos lábios do homem desapareceu conforme escutou o que sua amada lhe contou. Queria poder sentir ira daquele estranho, mas… A única coisa que sentiu foi ódio de si mesmo.


A ferida nas costas da sua amada nunca iria se recuperar.
A ferida no coração do homem nunca iria se recuperar.
A suspeita, o medo, a traição intencionada e não intencionada. A busca pelo poder que esqueceu do amor que lhe acompanhava que levou Victorique a condenar sua própria vida, eternamente.
Eternamente incapaz de andar.
Eternamente incapaz de sorrir.
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