Last Chapter - Carmen Han'Yodoru

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Last Chapter - Carmen Han'Yodoru

Post by Carmen Han'Yodoru on Thu May 11, 2017 10:26 pm

No pátio do casarão, o som do metal da espada se chocando ecoava pelos corredores vazios se não por uma empregada que caminhava um tanto atordoada e direção da origem do som. Os fios negros balançavam junto com o suor, fazendo com que as gotas brilhassem na luz da lua minguante antes de caírem no chão. Um corte em horizontal foi aparado pela espada do seu oponente, um garoto que no decorrer daqueles três anos agora se tornava lentamente um rapaz.

Com um sinal suave, a mulher indicou para seu companheiro de combate, que ofegava e suava muito mais do que ela, para que fizessem a pausa. Logo ao abaixar a ponta da espada para baixo, o rapaz caiu de joelhos no chão, apoiando-se no punho enquanto ofegava. Carmen sorriu de canto, seus olhos azuis claros brilhando enquanto se virava para a empregada que chegava esbaforida.

- Senhora!

- Diga, Felicia.

Enquanto Felicia tomava o ar, Carmen caminhou em direção da mesa, servindo os dois copos que estavam ali com um pouco da água que tinha da garrafa de água logo ao lado.

- Tem uma mulher aqui! - A empregada pegava aos poucos o ar. - Ela...

- Felicia, quantas vezes já te disse? Diga para os convidados aguardarem na sala de espera quando eu estou em treinamento.

Carmen acenou negativamente com a cabeça, girando os olhos enquanto tomava um gole da água. A outra mulher ergueu o olhar, envergonhada pelo seu erro ter sido apontado tão diretamente, entretanto, o som de passos de salto acabaram interrompendo aquele momento da dupla.

- Não culpe a senhorita, cara líder. - A voz era feminina, e havia um toque carregado, quase semelhante a de uma serpente por mais que fosse sedutor de apenas ouvir aquela voz. - Devo admitir que posso ter sido um pouco... Forte demais na minha mensagem. Ou pelo menos na urgência da mesma.

Do corredor que Felicia veio, vinha uma mulher alta, escultural, seus seios e quadris eram deveras generosos assim como os cortes em suas roupas que deixavam suas pernas extremamente visiveis assim como o decote era grandioso. Os cabelos roxos balançavam numa maneira inebriante e o perfume que enfestou o ar era tão atordoante quanto a própria figura que pertencia. Nos lábios se formava um sorriso sutil, e Felicia estremeceu de ver aquela mulher e Carmen sentiu cada pedaço do seu ser estremecer naquela urgência, semelhante ao que sentia quando encontrava qualquer um dos antigos líderes. Por instinto se colocou na frente da Felicia.

- Leve ele para o quarto, Felicia. - Nem mesmo virou o rosto para a empregada quando deu esse comando.

A estranha riu sutilmente enquanto a mulher saia correndo dali com o rapaz que mal havia conseguido pegar o ar.

- Carmen, Carmen, Carmen... Sabe que não precisa de tudo isso.

- Echidna... O que você quer aqui?

A mulher andou calmamente pelo pátio até ficar ao lado da mais nova, pegando o copo de água ainda intocado e observou o seu contéudo, que lentamente se tornava escuro. Os olhos escuros da mulher refletiam no contéudo do copo.

- Um passarinho me contou que a humanidade anda uma bagunça... Sabe, com tudo isso de organizações novas, os caos político das famílias, todo esse poder a solta... Humanos são muito idiotas para lidar com isso, não acha?

Levanto o copo aos lábios, a mulher sorveu dois goles da água escurecida sob o olhar furioso da Carmen.

- E?

- E? Não me questione sobre isso quando as devidas ações são óbvias a serem tomadas! - Echidna riu calmamente, virando-se de costas e vindo a se abraçar com o braço livre. - Esse mundo precisa de uma polícia para manter as coisas em ordem. E essa polícia é a Associação dos Magos, ou melhor dizendo... Você.

Pousando o copo na mureta, a mulher observou os arredores, suspirando enquanto passava o dedo na beirada do pedaço de vidro.

- Já passou da hora da polícia agir, não é mesmo?... - Ela riu baixo. - Minha família estará presente na reunião, é claro.

As duas trocaram olhares, e, frente ao olhar da líder, a estranha mulher desapareceu em uma fumaça escura. O copo caiu no chão, sem se quebrar, mas a água negra caiu no chão. Carmen soltou um suspiro irritadiço, passando a mão no rosto. Quanto tempo fazia desde que aquela mulher apareceu? Não sabia ao certo. Levou a mão ao olho direito, aquele que havia sido operado alguns anos atrás para que pudesse vir a recuperar a visão.

Por mais que odiasse admitir, ela estava certa. Muito poder estava a solta, e era hora de colocar as coisas em seus devidos lugares. Gwyn-Llys se dividiu em duas, Typhoon estava desaparecido, a Igreja estava caindo aos pedaços e a Seikishidan não tinha mais um líder.

Uma nova ordem era necessária.

Carmen respirou fundo e virou para ir ao seu escritório preparar as coisas para a reunião das famílias e organizações, as cartas, o dia, tudo. Enquanto se afastava, o chão onde aquela água tocou perdia vida e a grama morria.
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