Last Chapter - Tyler Lucius

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Last Chapter - Tyler Lucius

Post by Ryou Hayashi on Wed Apr 26, 2017 12:54 am

Quimera Kafkiana

Campos floridos se estendiam até fora de vista, um vento de verão que ainda era sutilmente gelado devido os alpes que rodeavam aquela região tão próxima do circulo artico norte. O cheiro perfumado das violetas odoratas eram entorpecentes e lhe traziam memórias distantes e felizes da sua terra natal. Em meio aquela imensidão, uma figura ruiva se fazia presente, o vestido branco e leve balançando livremente ao vento, o tecido contornando as curvas do seu corpo e o cabelo solto balançava sutilmente.

Como se sentisse o olhar que recaiu sobre ela, a mulher se virou, seus olhos sempre cheios de vida e alegria brilharam e o sorriso fácil se moldou nos lábios. Os braços se abriram, e sem nem mesmo perceber já se encontrava junto dela. O cheiro dos cabelos ruivos se misturaram ao perfume das flores, Tyler se perdia um pouco na sensação de ter aquela musa em seus braços, se aprofundando, quando o vento se intensificou acompanhado de uma nuvem que cobriu o sol. A mulher desapareceu dos seus braços, as petalas das violetas se ergueram no ar e, o perfume das flores se misturaram ao frio do vento.

- Senhor?

Um toque sutil se fez em seu ombro, tragando-o do sono profundo que se encontrou. Tyler ajeitou-se na poltrona, percebendo que agora, no avião, se encontrava sozinho com excessão da aeromoça que o olhava um tanto preocupada. O homem passou a mão no rosto, respirando fundo.

- Desculpe, eu... Dormi.

- Senhor, já aterrisamos em Shannon.

- Oh... Entendi, obrigado.

A aeromoça se distanciou um pouco, aproveitando o espaço o ruivo se libertou do cinto de segurança e levantou-se para pegar sua bagagem de mão de cima - sua única bagagem. Atravessar o corredor foi fácil, viajou na classe economica e agora estava vazio, uma vez do lado de fora do avião, o ar frio da Irlanda foi o primeiro abraço de boas vindas que recebeu. Um arrepio lhe cruzou o corpo, mas esse era apenas o sinal que enfim estava em casa, e por isso apenas um sorriso surgiu em seus lábios quando atravessava o corredor para o lobby de chegada.

O encontro com Alexsander certamente foi uma sorte, até diria que fora uma providência divina se acreditasse que Deus o perdoaria pelo seu maior pecado. Graças a ele que foi capaz de chegar em Londres em segurança e pegar o primeiro avião para fugir daquele lugar. Certamente não era a atitude mais heróica a se tomar, mas... A verdade é que não era nenhum herói. Não apenas pela sua fuga quase covarde, ou por ter pedido auxilio do dinheiro e dos contatos do Alexsander para que apagasse seus registros, mas também pelo seu maior crime.

Iria Subaru olha-lo com os mesmos olhos? Pensando agora, talvez, em um ponto, Beatrice tivesse razão quando o acusou de ser igual aos outros Lucius levando em consideração do que já fez.

A verdade era que foi criado para ser um soldado dos Lucius. Essa foi sempre sua função e sabia que, devido ao seu sangue "impuro" nunca iria ascender se não se comprometesse com alguém de maior status, mas certamente ascender não era sua intenção. Gostava da sua vida. A maior parte dela passava ali, em Limerick, na sua terra natal. Isso até aquele ataque no Oriente Médio.

Tyler saiu de seus pensamentos por alguns instantes, subindo no ônibus que o levaria ao seu destino. Do ponto, era somente algumas quadras antes de chegar em um bairro afastado e, em um prédio com apartamentos meio surrados. Logo ao entrar o frio praticamente cessou, sugando-lhe um suspiro aliviado conforme subiu as escadas para o terceiro andar e destrancou a porta.

- Atiya?

Chamou primeiramente, mas ao ver que no cabideiro o casaco dele estava ausente, se lembrou em seguida que o mesmo tinha ido para a aula. Sorriu de canto, soltando um suspiro e terminou de entrar. Se fazendo a vontade, Tyler tirou o casaco e deixou a mochila encostada no sofá, pegando o telefone celular e abrindo a parte de trás para trocar o chip. Com isso feito, discou um número familiar e olhou pela janela o movimento na rua.

-... Ah, Jolie? Sim, sou eu, Tyler. - Sua voz estava de volta ao tom animado de sempre enquanto falava em irlandes. - Tudo bem? Como está sua avó?... Heh, que bom saber. Olhe, eu já estou em casa... Sim, já voltei de viagem. Pode buscar o Atiya na aula quando ele sair?... Sim, eu te pago quando chegar aqui, se não se incomodar... Certo então? Beleza, até mais.

Desligando, deixou o telefone em cima da mesa e tratou de observar os arredores, sorrindo de canto. Atiya... Ele era um bom garoto. A casa estava bem arrumada, indo checar a geladeira, estava com estoque de comida com o necessário para uma pessoa. Riu consigo mesmo em lembrar como uma criança era tão bem organizada. Seguiu então para olhar o quarto do rapazinho, esse que, em contraste com a casa, estava com a cama desarrumada, algumas roupas jogadas no chão perto do cesto de roupa suja. Tyler suspirou, acenando negativamente com a cabeça.

- Que bom saber que nada mudou aqui...

Ainda se lembrava vivamente quando o encontrou naquele ataque. Deus sabe como conseguiu sobreviver, tanto a criança como Tyler. Havia sangue e corpos mortos para todos os lados. Talvez o Talibã assumiu que fosse apenas outro corpo em meio aquele monte, mas, o que despertou Tyler, o que o trouxe de volta a vida, foi um choro.

O choro de uma criança que agora era orfã. O ruivo se ergueu entre os mortos e entrou na tenda, ali dentro uma mulher caída, chorava e a criança havia rolado do seu cesto para o chão. Dois homens do Talibã ainda estavam ali, era claro as intenções deles. Intenções essas que de imediato Tyler pulou para conter. Foi um combate breve, não tinha tempo de luxo para permitir que eles chamassem reforços. A mulher gritou em horror quando a cabeça daquele que a chutou foi virada em 180 graus, e o outro apontou a arma para Tyler, esse que segurou a arma e, em meio ao combate, a arma disparou. Diversos dos tiros da metralhadora acertou sua barriga, lhe marcando por toda a vida, mas com um movimento bruto conseguiu usar a arma contra aquele que lhe atirou, usando-a para bater no corpo do mesmo, puxar para si e atirar contra a cabeça do homem. Mas, ao se virar, os tiros que não lhe atingiram se alojaram no corpo da mulher, que agonizou em seu próprio sangue nos ultimos momentos de vida.

O cheiro da polvora, do sangue, da morte, ainda lhe assombrava os sonhos, então muito lhe alegrava quando chegava em casa com o frio que mais lhe era aconchegante do que penante.

O som da porta se abriu e os passos rápidos da criança soaram. Tyler olhou por cima do ombro e sorriu ao ver Atiya, cujo os olhos escuros se acenderam em ve-lo.

Aquele era o rosto do seu motivo de viver, de lutar, de querer manter aquele sorriso sempre acesso. O dia passou rápido dali para frente. Quase como se nada tivesse ocorrido, como se o inferno que passou em Camlann tivesse sido apenas outro sonho. Sozinho na cama, a noite, Tyler se indagava sobre suas ações.

Aimee estaria sozinha daquela mesma forma? Quantas vidas ele prejudicou numa ação tão violenta..? Talvez o que tanto viu em Subaru foi um reflexo dele mesmo quando mais novo. Quando, anos atrás, atraiu e matou Lucian. Mas, com alguma sorte, essa verdade nunca seria encontrada. E mesmo se fosse, iria se certificar que nunca iria ser encontrado. Não esperava que Aimee fosse o entender, os sentimentos dela ainda eram existentes mesmo após tanto tempo a morte do Lucian. Talvez ela até mesmo suspeitasse que ele era o culpado daquilo, mas, não tinha provas.

Outra história de regicidio nos Lucius, outra história de regicidio que seria esquecido na história. Mas, esse não seria o problema agora. Houko era o problema. Iruma... Deixando um suspiro resignado escapar, Tyler colocou o rosto em suas mãos, inclinando-se para frente ao faze-lo.

Estava dificil de pensar. Precisava assegurar a vida do Atiya, mas como? O desejo de manter aquela inocencia sempre acessa, de proteger aquele sorriso... E, mesmo assim, em meio todos suas dores, a imagem cravada de Momo em sua mente lhe era mais forte do que qualquer coisa. Ficando com os olhos cerrados, o homem olhou para o nada.

Por tudo que lhe ocorreu, por todas as coisas boas e ruins que fez, Tyler ainda não conseguia ter o desejo de apagar nada. Por mais que o que aconteceu naquele dia tivesse destruido sua vida, ele se ergueu de novo e conseguiu criar Atiya, que agora era uma nova esperança, um presente em sua vida. O mesmo valeu para Camlann, que, por mais que tivesse sofrido nas mãos do Houko e fugido como fez... Não tinha como simplesmente agir como se tudo tivesse sido um sonho, não somente por Atiya, mas, por ela... Momo.

Infelizmente ela se foi. Infelizmente ela não iria retornar. Ainda sim, conseguia sentir o toque macio dela em sua mão, o cheiro dos seus cabelos e até o som da sua voz. O ruivo sorriu sutilmente ao fechar os olhos. Momo... Um nome que não fazia juz a ela. Gostaria de tê-la chamado pelo nome verdadeiro, de tê-la tocado uma ultima vez e a tomado em seus braços. Nada iria retornar... Mas, também não era um sonho.

Agora sua realidade não tinha ela. Ou Lucian. Subaru. Beatrice. Iruma. Aimee ou Brandon. Aquele mundo destrutivo lhe roubou muito, e agora ainda podia perder mais. Por seu carinho a Atiya, precisava protegê-lo, prepará-lo e mostrar a quimera que deverá enfrentar.

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